25.3.11

Simulacros de Morte

Cavei a minha tumba com engenho e perícia. Entrei e fiz a caminha de terra rica em fracassos, calcada com a gentileza da desilusão. Olha o quente da expectativa ser levado na fria chuva de realidade.  É só a vida a ser vivida. Que responsabilidade esta que agora sinto de me soerguer do mundo dos mortos para uma última tentativa, antes de me entregar ao desespero manso de um coma planeado. Esta vontade de me deixar soterrar, apodrecer e jurar não deixar vestígio que seja num campo vasto e desconhecido, como um epitáfio em homenagem a nada, onde não descansa sequer a angústia de tudo. Não estarei aí, nem em lado algum. 
Mas há quem renove a sua esperança nas minhas forças, ou finja renovar acreditando que a acredito, e causa-me tanta tristeza a fé nessa mentira. 
Falta-me a confiança de me confiar o suficiente para parar a paralisia que mais temi e nisso se tornou. Desde quando assumi a vida de fugitivo?

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