12.10.11

Encontros póstumos

Costumo ter boa memória para recordar sonhos, mas desta vez, não consigo recuperar o teor da conversa nem parcialmente. É uma falha imperdoável tendo em conta a conspicuidade do indivíduo que resolveu aparecer. Só a cena é clara. Eu falava em inglês por necessidade, de modo que surgem apenas fragmentos dispersos de palavras que sei não serem as originais. David Foster Wallace por sua vez respondia com vagar ligeiramente aborrecido. Dos poucos mortos com que tive o prazer de discursar (em sonho pois claro), este último, proporcionou um encontro agradável no conforto do meu quarto. Sensação que perdurou até à vigília. 
Ao contrário da última vez, quando vi Frank Sinatra tirar-me o sorriso da cara com uma chapada encomendada pela máfia. Estávamos no corredor do mini-mercado aqui do bairro. Tinha expectativas diferentes para um encontro como esse. Na altura pareceu um castigo brutal.

4 comentários:

pedro b disse...

tive há bem pouco tempo uma longa conversa com o senhor mark sandman. discutiamos se existia ou nao uma "cure for pain". acordei, entorpecido, quando no sonho estava a experimentar uma outra droga qualquer.

André C. disse...

muito bom. deve ter sido uma conversa bem interessante.
nada melhor que experimentar curas recomendadas pelo dr. Sandman.

Raquel Dias disse...

eis um mistério profundo: porque é que os sonhos me escapam tantas vezes da memória com o decorrer do dia? Quem sabe quantas conversas já tive, quiçá com as mais disparatadas pessoas...
Gostei muito. Really nice blog!

André C. disse...

A respeito de recordar os sonhos, por vezes até acontece o contrário: durante o dia, numa cadeia totalmente aleatória de eventos e estranhas associações de pensamentos, surge um momento que permite recuperar aquele pedaço de sonho que até nem tínhamos noção de termos esquecido. Acho fascinante. Fosse capaz, e estaria dias e dias a sonhar.