10.8.11

"Fuck It"

Só agora estou a praticar convenientemente a filosofia de um moderado not giving a fuck. Pouco me consolava saber a teoria se não tinha em vista dar-lhe um uso real. Neste momento consigo ver as portas abertas depois de anos de preocupações que mais não eram do que limitações por mim e para mim criadas. A vontade de evitar determinado trauma torna as pessoas reclusas no próprio corpo, parecendo que cumprem sem controlo uma outra espécie de expiação. Um caso clássico em que um mau remédio se torna mal permanente. Assim o acreditamos. Um hábito ao hábito de acharmos o medo maior que nós. Mas este é um processo lento, ou não fosse também o medo à mudança um sintoma de quem foi recluso por muito tempo. Passo a passo a fobia desaparece e eu reencontro pequenos prazeres que julguei estarem condenados à eternidade de uma decisão imutável. É bom que se desfaçam algumas certezas.

3 comentários:

du disse...

nem mais!
às vezes custa atingir esse tipo de atitude, mas vale bem a pena. acho que só quando lá chegamos é que temos uma verdadeira noção da nossa personalidade e conseguimos viver a 100% em nós.

André C. disse...

e esse, acima de tudo, é o melhor dos prémios.

pedro b disse...

eu não diria melhor.